Migração no Oeste Catarinense
Há mais de uma década, no Oeste de Santa Catarina, temos o movimento de novos imigrantes. Os primeiros foram buscados no Acre para o trabalho e, eram em sua maioria haitianos, sendo inseridos na construção civil e nas agroindústrias da região. De lá para cá viemos passando por distintos movimentos de deslocamento humano à diferentes nacionalidades (africanos, venezuelanos, sírios etc.). O Brasil aceita receber um fluxo migratório muito além de suas expectativas na adequação da política de migração. A região oeste de Santa Catarina efetua o acolhimento de um número expressivo de migrantes, caracterizado como um grande desafio a ser enfrentado pelos governos federal, estadual e local e por diferentes atores individuais e institucionais. Os haitianos na região oeste de Santa Catarina, na cidade de Chapecó chegaram no início de 2011 em um número muito restrito, eram 24, buscados para trabalhar na Empresa Fibratec, hoje contabiliza-se aproximadamente 20 mil imigrantes. A configuração dos movimentos desses imigrantes na região aparece com três fluxos definidos: a busca de trabalhadores estrangeiros, realizadas principalmente pelo interesse das empresas; a presença das mulheres/esposas; e, de forma mais sutil, a chegada dos filhos dos imigrantes haitianos. São várias as ações de apoio, acolhimento e atendimento aos imigrantes na região. Nestas conta-se com parceiros governamentais e de instituições da sociedade civil num esforço enorme para integrar os imigrantes. Salienta-se que o número expressivo de vagas para trabalho, principalmente nas agroindústrias, atrai esses imigrantes e é preciso garantir infraestrutura e direitos básicos para melhor integração destas pessoas no seu ambiente de trabalho e na comunidade local. Todos desempenham de forma exemplar suas funções, porém há setores que ainda necessitam se atualizar às novas ações, pois a demanda de atendimentos aos imigrantes tem aumentado de forma significativa. São pessoas com histórias de vidas que se cruzam e nas suas manifestações tem saudade. Acompanhar na região a presença de “outros rostos”, transformou nosso olhar sobre o movimento de ir e vir. A garantia do direito de migrar é de todos. Permanecem desafios impostos pela sociedade para a aceitação e o reconhecimento dos imigrantes na comunidade local. Nesta perspectiva, essa exposição é um importante espaço de diálogo, reflexão, troca de experiências, sensibilização em relação à questão das imigrações na contemporaneidade, em especial, quanto os registros àqueles que ficaram o que queremos contar e dizer sobre o momento vivido. É a própria existência e a presença dos imigrantes no oeste catarinense, dando -lhes vez e voz. É fato que neste movimento os imigrantes tiveram protagonismo total e exprimem seus anseios e expectativas no que diz respeito à vida.
Sandra de Ávila Farias Bordignon
Graduada em Pedagogia pela UFSM. Mestre em Educação pela Unochapecó. Pesquisadora da migração recente no Oeste de SC. Atualmente é Pedagoga lotada na Diretoria de Organização Pedagógica da PROGRAD/UFFS e membro da comissão Pró-imigrante na UFFS.